Autoestima e Autoconfiança – Qual é a Diferença?

Ter um bom nível de fé em si mesmo e em suas habilidades é uma maneira saudável de viver.

Infelizmente, para muitos de nós, nossa autoestima e autoconfiança parecem aumentar e diminuir como as ondas do mar — num minuto você está surfando na crista duma onda de autoconfiança e felicidade; no próximo minuto, algo talvez aconteça e você cai de volta num mar de dúvidas.

Para algumas pessoas pode até parecer que nunca vão conseguir se reerguer; em vez disso, vão continuar sendo atingidas por outras ondas e começar a se afogar na baixa autoestima e na falta de autoconfiança.

Esse ciclo pode frequentemente levar a constante ansiedade, autodesprezo e insatisfação na vida. Não é uma maneira muito produtiva nem agradável de viver.

Então, o que podemos fazer para desenvolver um nível saudável de autoestima e autoconfiança?

Em primeiro lugar, precisamos definir a diferença entre autoestima e autoconfiança.

A diferença entre Autoestima e Autoconfiança

Segundo a Universidade RMIT, na Austrália, os termos podem ser definidos assim:

  1. Autoconfiança: A crença de que você pode alcançar sucesso e competência
  2. Autoestima: Sua opinião a respeito de si mesmo e de seu valor

Isso quer dizer que autoestima se refere mais ao que achamos de nós mesmos como pessoas, ao passo que autoconfiança se refere mais ao que achamos de nossas habilidades para lidar com certas situações ou tarefas.

Embora sejam definitivamente relacionadas, na minha opinião, a autoestima precisa ser desenvolvida antes que a autoconfiança surja. Sem um senso interior de valor-próprio, é difícil exteriorizar confiança. A abordagem é de dentro para fora. É claro que você pode ir fazendo de conta até chegar lá, mas a ansiedade que acompanha esse engano pode às vezes ser debilitante.

Assim, de que é composta a autoestima?

O DNA da Autoestima

Ao longo dos anos, incontáveis pesquisas psicológicas foram realizadas para descobrir qual é a essência da autoestima. De acordo com o professor Christopher Mruk, da Universidade Estadual Bowling Greens, em Ohio, podemos basicamente resumir todas essas pesquisas em duas áreas: competência e valor.

  1. Competência: Se a sua autoestima é baseada na competência, sua identidade e a pessoa que você é estão diretamente relacionadas ao seu desempenho nas coisas que mais lhe importam. Enquadram-se nesta categoria pessoas que têm orgulho de vencer. Isso inclui coisas como alcançar metas, motivação e habilidades pessoais. 

    É irônico que ser competente em áreas que não são importantes para você, ou até ter grande sucesso nelas, não necessariamente melhora a autoestima. Tem de ser uma área importante para você. O principal problema da autoestima baseada na competência é que ela pode levar a resultados prejudiciais, tais como buscar o sucesso a qualquer custo ou nunca tentar por medo do fracasso.E como o fracasso sempre é uma possibilidade e o sucesso nunca dura, esse é um alicerce frágil sobre o qual basear sua autoestima. Esta categoria é frequentemente encontrada em culturas que valorizam pessoas bem-sucedidas, como os EUA e a maioria dos países ocidentais.

  2. Senso de valor: Se a sua autoestima é baseada no senso de valor, você estará mais preocupado em ser bom o bastante. É mais um sentimento do que um comportamento (que é o caso da autoestima baseada na competência). Você faz as coisas para que os outros pensem bem de você e é mais focado no coletivo.É uma questão de sentir que você tem valor como indivíduo ou que é importante para um grupo, seja a sua família, colegas de trabalho ou a comunidade como um todo. Esta categoria é mais relacionada a culturas que valorizam os relacionamentos interpessoais e têm uma visão mais coletiva, como em muitos países da Ásia. O lado negativo é que uma pessoa que tenha um conceito muito elevado de si mesma é encarada como arrogante, narcisista e egocêntrica. Nesta categoria, a sua autoestima está intimamente ligada a ser aceito ou rejeitado por outros.

Nenhuma dessas categorias é errada, mas se se basear muito mais numa do que na outra, correrá o risco de constantemente ferir sua autoestima quando aquela categoria específica for questionada. Mas Mruk sugeriu também uma terceira opção, holisticamente mais saudável: uma combinação de competência e senso de valor:

3. Competência e senso de valor: Esta é uma combinação dos dois grupos acima, na qual a sua competência em realizar tarefas é equilibrada com a integridade e os valores pessoais que você defende ao realizá-las. A competência, neste caso, significa encarar a realidade de frente e tomar decisões racionais, pessoalmente significativas, que façam você se sentir positivo a respeito da vida e que não comprometam a sua integridade.

A competência é alicerçada no desempenho; o senso de valor é alicerçado em valores, em particular valores interpessoais. Mruk descreve este grupo como “o status vivo da competência da pessoa em lidar, com o passar do tempo, com os desafios de viver de maneira digna.”

Das 3 maneiras que podemos desenvolver a autoestima, apenas esta última pode lhe oferecer felicidade durável, estável e em longo prazo.

Onde você se encaixa

Muitas vezes, não estamos cientes do lado para o qual pendemos para desenvolver a autoestima, porque isso foi programado em nós desde o nascimento, de acordo com os valores coletivos de nossa família, amigos e sociedade. Quando ficamos mais velhos, parece totalmente normal valorizar nossa competência ou nosso senso de valor conforme nossa criação.

Por exemplo, a sua criação pode ter feito você valorizar mais o sucesso e as realizações, se recebia constantes elogios por se sobressair. Por isso, talvez obtenha mais autoestima da sua competência.

De modo similar, a sua criação pode ter levado você a considerar sua família (ou amigos, time, religião, etc.) como sendo a coisa mais importante do mundo, e você se sente bem quando está ativamente contribuindo para a melhora dessa coisa. (Ou pode ser que tenha crescido achando que você é a pessoa mais importante do mundo, então seu amor-próprio é extremamente elevado, mas você dá a impressão de ser arrogante e convencido!) Assim, a sua autoestima está diretamente relacionada ao seu senso de valor como pessoa.

Ou, talvez, você tenha baixa autoestima em geral por se sentir incompetente em ambos os grupos. Por exemplo, sua identidade pode estar intimamente ligada a sempre fazer um ótimo trabalho para agradar o seu patrão, parceiro(a) ou figura de autoridade. Quando não atinge as próprias expectativas (e isso sempre acontece na vida), sua autoconfiança é esmigalhada, e você se sente inútil e rejeitado. É um perigo duplo, que pode rapidamente levar a extrema ansiedade e depressão. 

O ponto importante é: em qual dos lados você consegue se sentir melhor a respeito de si mesmo?

Como reage quando sua competência ou seu valor como pessoa são questionados?

O que dói mais:

entregar um relatório fraco (competência) ou ser rejeitado (senso de valor)?

Ambas as situações podem magoar, mas você geralmente se recupera mais rápido de uma do que da outra.

Analise a sua vida e tente descobrir para qual lado pende mais.

A maneira ideal de desenvolver autoestima e autoconfiança é ter uma estratégia de como lidar com os desafios da vida com integridade e em harmonia com seus valores.

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