Não Sacrifique sua Felicidade no Presente em Troca de Segurança no Futuro

“Se você não é feliz aqui e agora, jamais o será.” – Taisen Deshimaru

Quando eu era jovem, tinha grandes sonhos. Queria viver uma vida de aventura, seguir meu coração, ser destemido e apaixonado… e queria viajar o mundo assim que terminasse a faculdade.

Quando terminei a faculdade, já tinha uma oferta de emprego me aguardando. Era numa empresa local onde trabalhava nas férias de verão enquanto estava estudando.

Eu não me agradei muito da oferta. O emprego parecia um tanto chato, não oferecia muitas possibilidades de crescimento e progresso – e, acima de tudo, eu queria viajar.

Infelizmente, na época, a situação econômica não era das melhores, e todo mundo tentou me convencer a aceitar o emprego.

Eu devia ter escutado meu coração

Meu coração dizia: “Não, esse não é o emprego certo; você vai encontrar algo melhor, algo que realmente ame, um emprego com o qual será feliz de verdade…”

Mas a minha parte racional, o lado esquerdo do meu cérebro, contava outra história: “Você está louco! A economia está entrando em colapso, e você pensando em viajar o mundo? Quando voltar, não vai nem encontrar um emprego…”

Eu me assustei, cedi e aceitei a oferta. Não estava nem um pouco feliz. Quem me dera ao menos gostar do emprego ou sentir um pouco de paixão pelo trabalho que devia fazer…

O medo foi maior do que os meus maiores sonhos. Nunca tinha me preocupado muito com o futuro quando estava no ensino médio, nem depois, na faculdade. Como foi que fiquei tão temeroso pela minha segurança futura dentro de tão pouco tempo?

Será que foi por causa de todas as conversas que tive com amigos e parentes sobre como o mercado de trabalho estava mal, sobre como estava ficando difícil ganhar o sustento, ou a constante negatividade na mídia…?

Preso a uma vida que eu odiava

Bem, lá estava eu, num emprego de que não gostava nem um pouco, ganhando pouco… Mas pelo menos estava integrado ao mundo corporativo e tinha meu futuro assegurado.

Futuro seguro? Bem, era nisso que eu me obrigava a acreditar na época, para aliviar um pouco a dor de não estar fazendo o que realmente queria.

De qualquer forma, dois anos depois, eu me fartei do emprego e saí da empresa. Para viajar e fazer aquilo que meu coração ansiava? Não, durante os dois anos que haviam passado, as preocupações com minha segurança futura aumentaram ainda mais.

Agora eu estava firmemente integrado à sociedade. Lia o jornal diariamente, assistia ao noticiário da noite e, no intervalo do almoço, falava das perspectivas sombrias e desesperadoras com meus igualmente preocupados colegas de trabalho.

Puxa! Como podia ter mudado tanto em apenas dois anos! De um jovem vivaz, com paixões e grandes sonhos, havia me transformado num covarde assustado que dia e noite temia por sua segurança futura.

Ainda mais problemas pela frente

Foi por isso que me candidatei a um emprego numa grande empresa de prestígio, que oferecia excelentes oportunidades de crescimento e um ótimo salário. O medo foi a minha motivação, e eu consegui o emprego. Estava aliviado, mas não feliz.

O emprego parecia tão maçante quanto o que eu tinha na empresa anterior. Mas, bem, depois de dois anos, já estava acostumado a viver e trabalhar sem nenhuma paixão. O salário era excelente, e era só o que importava.

Um ótimo salário? Ora, eu nunca tinha me importado muito com dinheiro. O que estava acontecendo? Onde tinham ido parar meus sonhos? Não, o dinheiro só era bom para criar uma ilusão de segurança e para sentir menos medo.

Toda a minha alegria e felicidade tinham sumido

Fiquei nessa empresa quase oito anos – oito anos terríveis. Trabalhei cada vez mais horas, cada vez mais arduamente. Comecei a subir na empresa e ganhava cada vez mais dinheiro.

Mas, conforme os anos passavam, eu me sentia pior e caí em depressão. Todo o dinheiro e as coisas caras que tinha comprado não me ajudaram. Eu me sentia vazio e tremendamente infeliz.

Eu não estava vivendo a minha vida nem meus sonhos. Na verdade, nem vivia, eu meramente existia.

Enfim, a virada

Eu tinha tanto medo de que alguma coisa ruim poderia acontecer no futuro e que minha vida seria infeliz, que sacrifiquei toda a minha felicidade no presente para evitar um futuro infeliz.

Puxa, isso caiu sobre mim como uma tonelada de tijolos. A única coisa que me apavorava era ter uma vida infeliz. Tentei evitar a infelicidade no futuro por criar uma vida infeliz todos os dias. Não fazia nenhum sentido. Como foi que levou tanto tempo para que eu percebesse minha estupidez?

Depois de me dar conta disso, passei várias semanas refletindo na minha vida e no que eu realmente queria. Comecei a ler pilhas de livros sobre felicidade, crescimento pessoal, autocapacitação e assuntos relacionados a esses; comecei a ir à academia; reduzi minhas horas de trabalho…

Finalmente, quatro ou cinco meses depois, me demiti. Eu não tinha uma direção clara para meu futuro; apenas queria viver. Viajei por uns meses, li mais livros, curti estar na natureza e continuei meu processo de reflexão.

Meio ano mais tarde, iniciei um pequeno negócio. Não ganhava muito, mas me divertia bastante e estava realmente feliz.

Agora eu estava vivendo de novo – que sensação maravilhosa!

Se pudesse lhe dar só um conselho, uma única dica, eu diria:

Seja feliz AGORA! Siga seu coração e viva sua paixão. Seja você mesmo e viva a SUA vida. Não tenha medo do futuro e não permita que o medo domine sua vida. Se viver assim, encontrará muita alegria e felicidade. E nesse estado, nada realmente ruim pode lhe acontecer.

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